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02/03/2015 – TeleTrabalho Sustentável: uma estratégia oportuna para a crise da água.

A exemplo de centenas de empresas brasileiras sintonizadas com as práticas mais avançadas de gestão da produção intelectual, o Tribunal de Justiça de São Paulo – TJSP implementou recentemente o TeleTrabalho. O objetivo principal é aumentar a produtividade e qualidade de vida de seus colaboradores. Mas há quem ressalte que essa mudança de paradigma nas relações de trabalho ocorreu ali, neste justo momento, para dar uma rápida resposta da instituição às crises da água e energia elétrica. De todo modo, é lícito que aproveitem o momento para exaltar seu multifacetado protagonismo.

A propósito, embaladas por exemplos como o TJSP e pela psicologia coletiva da crise, este pode ser um bom momento para as empresas darem o passo que faltava para a adoção do trabalho a distância, furando a resistência de nossa cultura empresarial conservadora.

O TeleTrabalho pode contribuir com a crise de abastecimento de água. É uma forma de desconcentração do consumo, que passa a ser diluído nas casas dos colaboradores. Haverá então uma transferência do consumo individual para outros reservatórios que podem estar com níveis menos críticos, e isso ajuda a aliviar a crise aguda, equilibrando geograficamente a sangria dos reservatórios da região. Um empregado que reside, e passa a trabalhar parte dos dias em sua casa, na Granja Viana, por exemplo – abastecida pelo reservatório Alto Cotia – pode ajudar a amenizar a crise de água se a sede de sua empresa estiver num bairro de São Paulo abastecido pelo quase vazio reservatório da Cantareira.

No caso da energia elétrica, individualmente, as empresas podem reduzir o consumo com o trabalho em casa, o que é bom para o caixa da empresa; mas com toda a rede elétrica interligada, o fenômeno da desconcentração do consumo, como no caso da água, não ocorre. Entretanto, em ambos os casos – da água e da energia – se o TeleTrabalho for implementado em escala suficiente, que permita que a empresa seja transferida para um edifício menor – o que é comum em processos de adoção do trabalho a distância – tanto o consumo coletivo de água, como o de energia da empresa, serão ainda mais reduzidos, incrementando o alívio à crise.

Além dessas virtudes, sendo implementado em um momento crítico como o atual, o TeleTrabalho criará entre as famílias, condições psicológicas e práticas mais favoráveis, com melhores resultados na economia de água e energia. O trabalho em casa representa um incontestável marco de mudança de hábito na vida do profissional. A presença mais frequente do empregado em casa afeta diretamente os familiares. Se uma das principais bandeiras da mudança for a crise de abastecimento de água e energia, o TeleTrabalhador será um fiscal, um guardião muito atento e presente de seus próprios hábitos de consumo – e de toda sua família, vizinhança e amigos – produzindo mais eficácia capilar na racionalização do uso desses escassos recursos no seio de sua célula social.

Para animar ainda mais os gestores a adotarem o TeleTrabalho, como resposta à crise atual, pode-se listar muitas outras vantagens ambientais e de saúde pública do trabalho a distância, além dos conhecidos benefícios econômicos à empresa e colaboradores. Mas isso ficará para o próximo capítulo da série aqui lançada  “TeleTrabalho Sustentável”.

 

Olimpio Alvares é engenheiro mecânico formado pela Escola Politécnica da Universidade de São Paulo, ex-gerente da Cetesb, responsável pelo desenvolvimento de uma série de programas de controle de emissões veiculares no País, membro fundador do International Council on Clean Transportation – ICCT e da Comissão de Meio Ambiente da Associação Nacional de Transportes Públicos – ANTP, colaborador do Clean Air Institute – CAI e do Instituto Saúde e Sustentabilidade, Diretor da L`Avis Eco-Service, especializada em consultoria em emissões veiculares e Transporte Sustentável. É também Diretor de Meio Ambiente e Sustentabilidade da SOBRATT – Sociedade Brasileira de Teletrabalho e Teleatividades – olimpioa@uol.com.br

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