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15/08/2015 – Notas Técnicas sobre Teletrabalho e a Qualidade de Vida no Trabalho

Notas Técnicas sobre Teletrabalho e a Qualidade de Vida no Trabalho
Alberto Ogata
 
Frequentemente, os teletrabalhadores realizam o controle das suas atividades pelo atingimento de determinadas metas ou pelo cumprimento de determinadas tarefas, com maior frequência do que o controle sobre o tempo conectado com o sistema da empresa, por exemplo. 
Atualmente a legislação brasileira é bastante rígida com relação à carga horária dos trabalhadores (seja para trabalhar, seja para repouso). Esta regulamentação oferece pouca flexibilidade para negociação da empresa com o trabalhador. 
 
Eventuais ausências (uma ou duas horas) que não estariam incluídas na pausa para o almoço somente são concedidas através de negociação direta (e informal) entre o trabalhador e o seu superior. A eventual ausência (informal) do trabalhador para cuidar de assuntos pessoais ou familiares traz uma certa insegurança jurídica para a empresa pois quaisquer acidentes ou incidentes ocorridos durante este período potencialmente podem ser considerados ocupacionais. 
 
Muitas vezes as pessoas não utilizam seus dispositivos móveis (celulares) do trabalho nos momentos de repouso ou somente acessam sua caixa postal de e-mail durante o expediente.  
 
Algumas questões são importantes, como a falta de interação social e o suporte entre colegas, a dificuldade de acesso para os programas de saúde e bem-estar, a dificuldade de maior controle sobre questões ergonômicas e de segurança no trabalho. 
 
São exemplos de possíveis riscos para a saúde dos trabalhadores, podem  incluir:
 
• Longas horas ou redução de horas
• conflito na vida profissional ou a solução de conflito trabalho-vida  sob a perspectiva  da saúde e bem-estar 
• Aspectos ergonômicos
• O isolamento ou aumento do networking
 
São exemplos de possíveis resultados:
 
•         aumento do estresse, estresse no trabalho e burnout
•         Implicações para descanso e recuperação : fadiga
•         outros impactos na saúde (por exemplo, distúrbios do sono)
•         satisfação no trabalho geral ou insatisfação
•         melhor / pior bem-estar geral
 
Os teletrabalhadores não gastam tempo excessivo no deslocamento e teriam (potencialmente) mais tempo para atividades relacionadas ao estilo de vida (como atividade física). Por outro lado, ha maior dificuldade de acesso às atividades dos programas de bem-estar e ao serviço de saúde da empresa. O teletrabalhador pode ter risco maior de isolamento social e não receber o devido suporte dos colegas e superiores. O teletrabalhador precisa ter controle da sua alimentação, visto que há maior acesso à alimentos no ambiente doméstico.
 
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Notas Técnicas sobre Teletrabalho e a Qualidade de Vida no Trabalho
Fonseca, Regina Lúcia de Almeida; Pérez-Nebra, Amalia Raquel
 
A epidemiologia do teletrabalhador: impactos do teletrabalho na saúde mental / The teleworkers epidemiology: impacts of telework in mental health
Fonseca, Regina Lúcia de Almeida; Pérez-Nebra, Amalia Raquel.
Cad. psicol. soc. trab; 15(2): 303-318, dez. 2012. tab.
Artigo em Português | Index Psi (psicologia) | ID: psi-58294
 
Resumo
O presente estudo encontrou embasamento na visão da epidemiologia do trabalho, de Codo, Soratto e Vasques-Menezes (2004), com o objetivo de identificar os impactos psicológicos do teletrabalho na saúde mental dos teletrabalhadores. Vale ressaltar que a saúde mental foi tomada como variável de interesse e associada às três dimensões que abordam o campo da saúde mental no trabalho: a relação homem-natureza, a relação homem-sociedade e a relação do homem consigo mesmo. Responderam à pesquisa 90 teletrabalhadores. Dentre os resultados, verificou-se que os teletrabalhadores atuam, principalmente, nas áreas de comunicação e tecnologia da informação. A pesquisa também aponta que 33,4 por cento dos participantes teletrabalham mais de 40 horas semanais. No que diz respeito às variáveis de trabalho, houve pontuações acima da média da escala nos aspectos: importância social do trabalho; controle sobre o trabalho; relacionamento com a chefia; relacionamento no trabalho; suporte social e comprometimento. As análises de correlação demonstraram que os quadros psicopatológicos foram considerados fenômenos relacionados às interações que o trabalhador realiza com a natureza, com a sociedade e consigo mesmo. Os resultados se revelaram, de forma geral, favoráveis ao teletrabalho, e, com exceção de algumas evidências de sintomas maníacos, não foram identificados maiores quadros indicadores de sofrimento psíquico nos teletrabalhadores.(AU).
 
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Notas Técnicas sobre Teletrabalho e a Qualidade de Vida no Trabalho
Silvia Teresa da Silva S. Marchetti
 
A determinação dos próprios horários e ritmo de trabalho pelos  teletrabalhadores ainda está engessado, sendo que a maioria dos teletrabalhadores seguem horários pré-determinados pelas empresas, principalmente àqueles que trabalham com atendimento público ou dependem de áreas administrativas da empresa em horário comercial.
 
De acordo com a atividade exercida pela empresa e pela função e cargo do empregado.  Quando o empregado trabalha por projeto e por metas, o determinante não é o horário de sua disponibilidade, mas o cumprimento dos objetivos pré-determinados e planejados. 
 
O teletrabalhador deve ser tratado como um profissional em seu ambiente de trabalho, com horários a cumprir, onde a grande facilidade deve ser a mobilidade e o tempo útil que ele terá fora de seu expediente que poderá administrar como quiser proporcionando mais qualidade de vida, maior proximidade da família dentre outras facilidades. 
 
Um ponto determinante no teletrabalho é a definição de local e horário para essa atividade e deixar a família ciente do horário de trabalho e o respeito a essa nova modalidade.  Durante esse período a utilização de TICs facilita e aproxima o profissional de outros colegas e até mesmo de sua chefia, considerando as facilidades que a tecnologia traz.  Porém durante outros horários, lazer ou momentos famíliares o uso de TIC voltado para o trabalho se torna invasivo e interfere no relacionamento pessoal, a empresa utiliza um tempo e espaço que não lhe pertence. 
 
Hoje a utilização de tecnologia é imprescindível para organização e realização de tarefas e também para uma comunicação mais rápida e respostas mais ágeis.
 
Os funcionários sentem que a utilização relacionada com o trabalho das TIC interfere com a sua vida pessoal, pois existem muitos casos onde o teletrabalhador fica  ligado 24 horas à  empresa, e não é possível desvinculá-lo , mesmo se tratando de finais de semana, férias ou feriados, isso causa stress e desgaste.
 
Dentre algumas  estratégias individuais que os funcionários usam para gerenciar a fronteira entre trabalho e vida pessoal , sobressaem-se: 
•         O  desligamento  dos celulares e aparelhos durante os períodos de descanso.
•         Não responder e-mails ou SMS durante os períodos não destinados para o trabalho 
 
 Quanto  as principais questões e preocupações em relação à saúde e bem-estar dos teletrabalhadores, destacam-se : 
 
•         Longas horas de trabalho, desrespeito aos compromissos pessoais, utilização de espaços inadequados ao trabalho causando problemas posturais,dentre outros, isolamento, falta de interação com os colegas. 
•         Ausencia da cultura organizacional e distanciamento da realidade da empresa. 
 
São exemplos de possíveis riscos para a saúde dos trabalhadores:
 
• Longas horas ou redução de horas
• conflito na vida profissional ou a solução de conflito trabalho-vida  sob a perspectiva  da saúde e bem-estar 
• Aspectos ergonômicos
• O isolamento ou aumento do networking
  
Dentre os efeitos sobre a saúde e bem-estar dos trabalhadores, são apontados : 
•         aumento de stress por falta de interação com colegas e ambiente de trabalho, porém o equilíbrio vem na redução pela ausência de locomoção, trânsito e transtornos causados durante o percurso ao trabalho, que também traz redução de fadiga e maior proximidade com a família.  A satisfação geral é maior.
 
Assim, quanto a exemplos de possíveis resultados desta situação , destacam-se :
 
•         aumento do estresse, estresse no trabalho e burnout
•         Implicações para descanso e recuperação : fadiga
•         outros impactos na saúde (por exemplo, distúrbios do sono)
•         satisfação no trabalho geral ou insatisfação
•         melhor / pior bem-estar geral
 
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Notas Técnicas sobre Teletrabalho e a Qualidade de Vida no Trabalho
Olímpio Álvares

TELETRABALHO SUSTENTÁVEL: UMA ESTRATÉGIA OPORTUNA PARA A CRISE DA ÁGUA

A exemplo de centenas de empresas brasileiras sintonizadas com as mais avançadas práticas de gestão da produção intelectual, o Tribunal de Justiça de São Paulo – TJSP implementou recentemente o TeleTrabalho Sustentável. O objetivo principal é aumentar a produtividade e qualidade de vida de seus colaboradores. Mas há quem diga que essa mudança de paradigma nas relações de trabalho ocorreu ali, neste justo momento, para dar uma rápida resposta da instituição às gravíssimas crises da água e energia elétrica. De todo modo, é lícito que aproveitem o momento para exaltar seu multifacetado protagonismo no campo da sustentabilidade empresarial.

Aliás, este pode ser um excelente momento para as empresas darem o passo que faltava para adoção do home-office, embaladas por exemplos como o do TJSP e pela psicologia coletiva da crise, rompendo assim a resistência ainda existente em nossa cultura empresarial predominantemente conservadora.

Um guia visionário, publicado recentemente pela Secretaria de Estado do Meio Ambiente de São Paulo em parceria com a Sociedade Brasileira de TeleTrabalho e Teleatividades – Sobratt, com recomendações para as empresas públicas e privadas implementarem o trabalho a distância, poderia de fato auxiliar tomadores de decisão (incluídos os próprios autores dessas recomendações) a enxergarem com maior clareza as inúmeras vantagens para as empresas, empregados e para o meio ambiente (ver endereço abaixo) desse regime avançado de subordinação trabalhista, em franca expansão no mundo todo.

O trabalho a distância pode sim contribuir com a crise da água; é uma forma de desconcentração do consumo, que passa a ser distribuído nas casas dos colaboradores. Há uma transferência do consumo individual para outros reservatórios que podem estar com níveis menos críticos, e isso ajuda a equilibrar geograficamente a sangria dos reservatórios da região. Um empregado que passa a trabalhar parte dos dias em sua casa, na Granja Viana, por exemplo – abastecida pelo reservatório Alto Cotia – pode ajudar a amenizar a crise de água se a sede de sua empresa estiver num bairro de São Paulo abastecido pelo quase vazio reservatório da Cantareira.

No caso da energia elétrica, individualmente, as empresas podem reduzir o consumo com o trabalho em casa, o que é bom para o caixa da empresa; mas com toda a rede elétrica interligada, o fenômeno da desconcentração do consumo, como no caso da água, não ocorre. Entretanto, em ambos os casos – da água e da energia – se o TeleTrabalho for implementado em escala suficiente, que permita que a empresa seja transferida para um edifício menor – o que é comum em processos de adoção do trabalho a distância – tanto o consumo coletivo de água, como o de energia da empresa, serão ainda mais reduzidos, incrementando o alívio à crise.

Além dessas virtudes, sendo implementado em um momento crítico como o atual, o TeleTrabalho criará entre as famílias, condições psicológicas e práticas mais favoráveis, com melhores resultados na economia de água e energia. Isso porque o trabalho em casa representa um incontestável marco de mudança de hábito na vida do profissional. A presença mais frequente do empregado afeta diretamente os familiares. Se uma das principais bandeiras da mudança no regime de trabalho for a crise de abastecimento de água e energia, o TeleTrabalhador será um fiscal, um guardião muito atento e presente de seus próprios hábitos de consumo – e de toda sua família, vizinhança e amigos – produzindo mais eficácia capilar na racionalização do uso desses escassos recursos no seio de sua célula social.

Para animar ainda mais os gestores de empresas a adotarem o TeleTrabalho, como resposta à crise atual, pode-se listar muitas outras vantagens ambientais e de saúde pública do trabalho a distância, além dos conhecidos benefícios econômicos à empresa e colaboradores. Mas isso fica para o próximo capítulo da série aqui lançada  “TeleTrabalho Sustentável”.

http://www.ambiente.sp.gov.br/wp-content/uploads/2013/09/Teletrabalho_e_Teleatividades_SMA_Ago20131.pdf

Olimpio Alvares é engenheiro mecânico formado pela Escola Politécnica da Universidade de São Paulo, ex-gerente da Cetesb e Diretor da L`Avis Eco-Service, é membro do International Council on Clean Transportation – ICCT e da Comissão de Meio Ambiente da Associação Nacional de Transportes Públicos – ANTP e colaborador do Clean Air Institute – CAI e do Instituto Saúde e Sustentabilidade. É também Diretor de Meio Ambiente e Sustentabilidade da Sociedade Brasileira de Teletrabalho e Teleatividades – Sobratt – olimpioa@uol.com.br

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