18/09/2016 – Home office funciona para quem tem o perfil certo (18/09/2016)
Estima-se que 60% das empresas brasileiras já formalizaram o escritório em casa ou trabalho de campo. O Brasil ainda está atrás de países como os Estados Unidos e Canadá (ambos com 85%), França e Alemanha (ambas com 77%)
A ideia de trabalhar em horários flexíveis, sem sair de casa e utilizar a tecnologia como aliada, seduz muita gente. Anal, algumas pessoas são verdadeiras máquinas de produção na madrugada e tem extrema diculdade em se concentrar pela manhã ou na parte da tarde Há também quem perca duas horas no trânsito ou sinta falta de estar em casa, mais perto da família no horário convencionado como "comercial".
O trabalho remoto não é novidade, mas o aumento de pessoas aderindo ao modelo é consequência direta da flexibilidade que a tecnologia trouxe para as relações de trabalho e para os empreendedores. O funcionário de uma empresa pode trabalhar a partir de casa ou o endereço residencial pode se tornar também o endereço comercial de profissionais autônomos ou freelancers.
Pesquisa promovida pela Home Ofce Brasil mostra que o interesse pelo sistema aumentou em 50%, nos últimos dois anos. No estudo bianual, foram ouvidas 325 empresas de tamanhos e segmentos diversos. Em relação a 2014, houve um aumento de 50% no número de empresas que estão implantando o home ofce, 15% estudando a implantação da prática e de 28% em fase de formalização da prática.
Disciplina
Home office não é para todos. É fundamental ter disciplina e seguir regras, entender a natureza do trabalho e ter competência para trabalhar de forma independente. Para funcionários, vinculados a uma empresa, cumpre ainda seguir as normas estabelecidas pelos gestores e executar todas as tarefas dentro do modelo proposto, em geral, horários de entrega de trabalhos e relatórios.
Para o publicitário Andrés Sebastián, a maior motivação para adotar o modelo home ofce foi a chance de acompanhar o desenvolvimento dos lhos pequenos, Benjamin e Yasmin, e dar uma forcinha para a esposa, Vanessa, na rotina da dupla. "Eu z a escolha, principalmente como pai, porque esse é o estilo de vida que eu queria para nossa família, mas antes foi preciso recongurar na minha cabeça, tudo o que eu pensava sobre relações de trabalho", arma.
Andrés contou com o apoio da esposa e sabia que não seria fácil, alguns dias são muito difíceis. Ainda assim, ele sabia o que não queria mais, e era passar o dia inteiro longe de casa. Os horários mais 㾀exíveis surtiram efeito imediato, porque a sensação de independência se tornou um combustível para a criatividade dele.
Segundo ele, o momento em que decidiu sair do modo tradicional foi aquele em que se perguntou "o que de pior pode acontecer?" E a resposta foi estar "preso" no escritório o dia inteiro. "Ao sair do automático a gente entende o quanto é difícil abrir mão da segurança, do modelo pronto. Por outro lado, é libertador", diz.
O publicitário defende que aqueles que, como é o caso dele, não se sentem bem no modelo tradicional estudam uma saída, arrisquem. Caso contrário, podem passar a vida toda lutando contra a insatisfação e se aposentam sem se sentirem realizados, de fato.
INTEGRAÇÃO Implementar práticas de vivência na companhia para quem é da equipe, mas trabalha em casa, é importante para que o outro se sinta parte da empresa. Os terceirizados também podem tirar proveito desse contato, uma vez que a experiência da cultura organizacional assegura que todos estejam no mesmo clima.
PRIORIDADES. A principal motivação do publicitário Andrés Sebastián para implantar o escritório de trabalho na casa dele foi estar mais perto da família. — FOTO: EDU CORRÊA
CONSULTOR MARCELO VIANNA Mais adeptos no setor de tecnologia Um dos segmentos com maior índice de prossionais atuando no modelo home ofce ou trabalho remoto é o setor de tecnologia. Programadores, desenvolvedores e outros especialistas estão "onde o equipamento está". Muitos são funcionários regulares, mas também há freelancers e autônomos, que respondem por etapas ou processos especícos de um projeto. A mão de obra terceirizada ou independente cresce exponencialmente no País e inspira outras áreas, como a Publicidade, Pesquisa, Consultoria, e Serviços.
1 Para qual perl de funcionário o sistema de trabalho remoto funciona? Qual é o papel da empresa como facilitadora dessa relação? — O home ofce não é para todo mundo. Geralmente, prossionais de nível sênior em diante, tem mais autonomia. Já os de nível júnior são menos recomendados, mas não é uma regra. A maturidade do prossional é o que conta. As empresas, por sua vez, devem entender que a atuação remota pede uma atividade que não dependa de interação constante. Regras precisam ser implementadas para garantir que os acordos sejam cumpridos e as entregas aconteçam.
2 O senhor cita regras para uma boa relação de trabalho entre a empresa e o funcionário em trabalho remoto, pode citar como isso deve ser feito na prática? — É necessário estabelecer as regras e as responsabilidades de cada um (empresa e empregado), tudo o que se refere à execução do trabalho, entrega e comunicação entre as partes,departamentos. Deve estar claro de quem é, por exemplo, o custeio da estrutura de trabalho (internet de alta velocidade, plano de contingência e equipamentos, que garantam ergonomia). Benefícios, multas, seguro, tudo deve estar em acordo mútuo, ser formalizado, e estabelecido em contrato.
3 Quais são as recomendações para a empresa desse e outros segmentos que pretende ter parte dos colaboradores em home ofce? — É preciso providenciar formas de comunicação audiovisual com o colaborador, porque, mesmo mediado pelo equipamento, o contato visual garante alinhamento, motivação e engajamento. Determinar um código de vestimenta (dress code), para que o funcionário se apresente de forma adequada em videoconferências; de tempos em tempos levá-lo à sede para promover a integração dele e os colegas e estabelecer modelos ecientes de mensuração de rendimento, por exemplo fracionando as entregas.
O Diário de Maringá
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