•  

        SELO_26_ANOS SELO_CERTIFICACAO_2023  SEJA_UM_APOIADOR

16/02/2016 – Artigo infeliz da Revista Exame – “Seu home office pode acabar destruindo o planeta” (16/02/2016)

Carta do leitor – Site da Revista Exame – Cometários sobre o artigo "Seu home office pode acabar destruindo o planeta"

http://exame2.com.br/mobile/tecnologia/noticias/o-seu-home-office-pode-acabar-destruindo-o-planeta

O artigo de 05/02/2016 às 21h:04min publicado no site da Revista Exame na seção de Tecnologia com o título "Seu home office pode acabar destruindo o planeta" carece de fundamento. Nossa crítica se assevera ainda mais, porque esse artigo raso pode ser entendido pelos leitores como um alerta (embora falso) contrário à prática virtuosa e sustentável do Teletrabalho – especialmente no Brasil, país abastecido por uma extensa rede elétrica de origem hidráulica, predominantemente limpa, sem emissões relevantes de CO2 de origem fóssil.

As ponderações da articulista Jessica Shankleman da Bloomberg poderiam – eventualmente – fazer algum sentido para leitores de países de clima muito frio, ou muito quente, onde a energia elétrica consumida vem predominantemente da queima de carvão, óleo combustível ou gás natural. Ainda assim, não seria lícito assumir (como fez a autora) que não haveria mais ninguém em casa quando o trabalhador sai para o trabalho todos os dias; ou quando, ao ficar em casa só, o teletrabalhador teria necessariamente que aquecer ou refrigerar desnecessariamente a casa toda – isso provocaria uma explosão da conta de eletricidade!

Antes de emitir opinião pública conclusiva sobre emissões comparativas de viagens urbanas motorizadas e emissões domésticas do uso de equipamentos térmicos, alguns cálculos de engenharia teriam que ser feitos, na ponta do lápis, analisando caso a caso, levando em consideração o tipo de transporte, as distâncias percorridas, se a geração elétrica residencial é de fato de origem fóssil, que tipo de equipamento térmico é utilizado, o número de pessoas que ocupam a residência etc; só assim seria possível tirar conclusões – caso a caso – sem qualquer direito à generalização.

Considere-se também, que muitas empresas, ao aderirem ao teletrabalho, viabilizam sua mudança para edifícios menores que consomem menos energia per capita. Por outro lado, a participação da energia eólica e solar fotovoltaica, absolutamente limpas e sem emissões de gases do efeito estufa, cresce fortemente em todo mundo.

No Brasil, entretanto, a história é bem diferente. Em muitas cidades de clima ameno as pessoas não tem necessidade de ligar o aquecimento ou ar condicionado em casa na maioria dos dias do ano. E quando o fazem, a energia que move esses equipamentos vem predominantemente das usinas hidrelétricas. Quando não há seca, as emissões de CO2 e outros poluentes são quase nulas.

Mas, não é apenas o parâmetro ambiental climático que motiva a adesão das empresas ao teletrabalho. Os benefícios diretos e indiretos do trabalho a distância para as empresas e, especialmente, para colaboradores, são múltiplos e significativos, conforme descreve a ampla bibliografia científica sobre o tema.

Portanto, a Sociedade Brasileira de Teletrabalho e Teleatividades – Sobratt vem aqui dizer a esta articulista: "Menos, senhora, menos!"

 

Olimpio Alvares é Diretor de Meio Ambiente e Sustentabilidade da Sobratt

<< Voltar