14/07/2015 – Teletrabalho – Alternativa para a poluição em SP (14/07/2015)
Não é possível que se queira refrear o desenvolvimento industrial e a evolução tecnológica, uma vez que são alavancas fundamentais do progresso e da autonomia econômica da região e do país. Entretanto é absolutamente necessário que essas mesmas alavancas tenham seus dispositivos reconhecidos e aproveitados para minimizar os impactos negativos, as reações adversas altamente indesejáveis que eventualmente o progresso enseja.
Sabe-se que a principal origem da poluição atmosférica em São Paulo é veicular, e que os esforços até agora envidados não têm obtido os resultados desejados. Já faz algum tempo que o chefe do Laboratório de Física Atmosférica da USP assim se expressou : "até agora não existe nenhum plano coerente de controle dos níveis de poluentes" e "É dever do poder público ter um plano de longo prazo, com metas estabelecidas e punições para setores que não atingirem os objetivos". Tais afirmações são fáceis de ser comprovadas por números, mas também pela simples observação do cidadão comum.
Outros países desenvolvidos vêm passando por situações similares à nossa, e têm buscado alternativas para melhorar a qualidade do ar e de vida das pessoas, especialmente nas grandes metrópoles. É possível encontrar medidas como a ampliação e melhoria dos serviços de transporte público, tanto de ônibus e metrôs, os sistemas de van pool e car pool, pedágio urbano, e estímulo para que as empresas adotem sistemas de horários flexíveis e trabalho remoto. Um exemplo é o Best Workplaces for Commuters (http://www.bestworkplaces.org).
Nos Estados Unidos, por exemplo, os governos de alguns estados oferecem facilidades em relação ao pagamento de impostos e taxas, redução ou mesmo isenção, para empresas que implantarem programas de teletrabalho com parcela significativa do quadro de empregados, de maneira e reduzir os deslocamentos de pessoas, o número de veículos em trânsito, e a sobrecarga dos serviços de transporte público. Alguns órgãos do governo (www.telework.gov) já adotam ou estão desenvolvendo programas de implantação dessa forma de trabalho para dar exemplo. Existem, inclusive, programas de parceria firmados entre governos e organizações com esses objetivos em comum. Instrumentos semelhantes existem ou estão em estudo em vários outros países, como Canadá (http://www.tbs-sct.gc.ca/pubs_pol/hrpubs/tb_853/tele_work1_e.asp), Irlanda (www.e-work.ie) e Austrália (http://www.workplace.gov.au/workplace/Programmes/WorkFamily/Teleworktaskforce.htm).
A Sociedade Brasileira de Teletrabalho e Teleatividades – SOBRATT entende que essa é uma forma inteligente de tirar partido do desenvolvimento e da evolução tecnológica de maneira benéfica para o meio ambiente, proporcionando, como "efeito colateral", aumento da produtividade e qualidade do trabalho, maior equilíbrio entre a vida profissional e pessoal do trabalhador, redução do estresse, maior comprometimento com o trabalho e a empresa, maior acesso de pessoas deficientes ao trabalho, recrudescimento da economia pelo fortalecimento do comércio nos bairros, contratação e manutenção de talentos independente da distância geográfica, economia de custos para as empresas, redução do índice de crimes como roubos, assaltos e seqüestros, agilidade de reação das empresas em situações de emergência, entre outros.
Embora seja necessário um esforço coletivo do governo, organizações e indivíduos para que se possa elaborar e implantar um plano de redução da poluição em São Paulo e nas demais regiões metropolitanas do país que enfrentam problemas semelhantes, acreditamos que é possível, sim, além de simplesmente determinar objetivos, restrições e punições, também e principalmente apresentar as alternativas viáveis, apoiadas pelo Estado e pelo próprio estágio tecnológico em que o Brasil já se encontra.
O teletrabalho – ou trabalho remoto, trabalho a distância, tabalho móvel ou home office – é uma opção vantajosa para todos, ao alcance da maioria das empresas, que não impede o desenvolvimento industrial, tecnológico e econômico do país, nem apresenta impactos negativos, como a restrição ou pedágio de automóveis em circulação. Por mais que essa forma alternativa de trabalho possa soar estranha aos ouvidos de muitos, embora seja usada por um grande número de trabalhadores brasileiros atualmente, ainda que de maneira informal e geralmente complementar à atividade de trabalho e carga horária tradicional, está na hora de repensarmos, e rápido – enquanto há tempo – se não está na hora de nos modernizarmos não só tecnologicamente (com carros, equipamentos, celulares e computadores de última geração), mas também culturalmente, adequando a forma de trabalhar à realidade dos nossos dias e, principalmente, à necessidade premente de minimizar os impactos negativos do progresso no meio ambiente.
Álvaro Mello – Presidente da SOBRATT – Sociedade Brasileira de Teletrabalho e Teleatividades


