O Teletrabalho ou home-office, adotado em escala abrangente quando e onde possível e conveniente para patrões e empregados, ajudaria muito a melhorar a situação de calamidade e ineficiência das grandes cidades congestionadas, sem comprometer o produto laboral. Ao contrário: segundo fartos estudos científicos, o trabalho a distância aumenta a autoestima e a produtividade individual dos trabalhadores e das empresas, além de muitos outros benefícios tangíveis e intangíveis. Mas, o mais interessante de tudo isso e sem nenhum risco para quem quer que seja: se não dá certo, por um motivo qualquer, pode ser imediatamente revertido para o "pré-histórico" modo perdulário-pendular tradicional.
Atentos à comprovada diversidade de benefícios que o trabalho à distância oferece, não apenas as empresas privadas com sistemas avançados de gestão, mas também governos de outros países, estados e cidades – como no caso das agências federais norte-americanas – vem adotando, inclusive compulsoriamente, e com grande sucesso, o teletrabalho mínimo para todos os colaboradores elegíveis para essa modalidade.
Entretanto, por alguma inexplicável espécie de apego ao modelo usual, receio político, medo do novo, ou então, pelo simples desconhecimento das autoridades sobre os inúmeros benefícios e vantagens dessa possibilidade, ainda não temos na nova Lei da Mobilidade Urbana e nos demais instrumentos de planejamento oficiais – como, por exemplo, os Planos de Mobilidade Urbana Sustentável e os Planos Estaduais e Municipais de Controle da Poluição por Veículos (PCPVs) – uma recomendação explícita e decisiva para que gestores ambientais, do trânsito e dos transportes incentivem o Teletrabalho no mundo corporativo; este, aliás – segundo o World Resources Institute (WRI), que estuda em profundidade os, muito em voga, Programas de Gestão de Mobilidade Corporativa (GDM) – responde por cerca de 50% dos deslocamentos urbanos motorizados. Eis um gravíssimo erro a ser corrigido!
Quem sabe agora o novo Prefeito Dória de São Paulo – cujo vice Bruno Covas quando Secretário do Meio Ambiente do Estado de São Paulo recomendou oficialmente (link abaixo) a prática do trabalho a distância – entenderá o claro sinal do seu copiloto e emplacará uma política concreta e fértil de home-office para a inviável Cidade de São Paulo.
Essa sim é uma política pública que, de fato, vai retirar grandes quantidades de pessoas do automóvel. Escute seu vice, Dória!
* http://www.ambiente.sp.gov.br/wp-content/uploads/2013/09/Teletrabalho_e_Teleatividades_SMA_Ago20131.pdf
Olimpio Alvares é Diretor da L'Avis Eco-Service, especialista em transporte sustentável; é membro fundador da Comissão de Meio Ambiente da Associação Nacional de Transportes Públicos – ANTP e Diretor de Meio Ambiente e Sustentabilidade da Sociedade Brasileira de Teletrabalho e Teleatividades – SOBRATT


