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25/03/2015 – Teletrabalho Sustentável: Uma estratégia oportuna para a crise de água

A exemplo de centenas de empresas brasileiras sintonizadas com as mais avançadas práticas de gestão da produção intelectual, o Tribunal de Justiça de São Paulo – TJSP implementou recentemente o TeleTrabalho Sustentável. O objetivo principal é aumentar a produtividade e qualidade de vida de seus colaboradores. Mas há quem diga que essa mudança de paradigma nas relações de trabalho ocorreu ali, neste justo momento, para dar uma rápida resposta da instituição às gravíssimas crises da água e energia elétrica. De todo modo, é lícito que aproveitem o momento para exaltar seu multifacetado protagonismo no campo da sustentabilidade empresarial.

 

Aliás, este pode ser um excelente momento para as empresas darem o passo que faltava para adoção do home-office, embaladas por exemplos como o do TJSP e pela psicologia coletiva da crise, rompendo assim a resistência ainda existente em nossa cultura empresarial predominantemente conservadora.

 

Um guia visionário, publicado recentemente pela Secretaria de Estado do Meio Ambiente de São Paulo em parceria com a Sociedade Brasileira de TeleTrabalho e Teleatividades – Sobratt, com recomendações para as empresas públicas e privadas implementarem o trabalho a distância, poderia de fato auxiliar tomadores de decisão (incluídos os próprios autores dessas recomendações) a enxergarem com maior clareza as inúmeras vantagens para as empresas, empregados e para o meio ambiente (ver endereço abaixo) desse regime avançado de subordinação trabalhista, em franca expansão no mundo todo.

 

O trabalho a distância pode sim contribuir com a crise da água; é uma forma de desconcentração do consumo, que passa a ser distribuído nas casas dos colaboradores. Há uma transferência do consumo individual para outros reservatórios que podem estar com níveis menos críticos, e isso ajuda a equilibrar geograficamente a sangria dos reservatórios da região. Um empregado que passa a trabalhar parte dos dias em sua casa, na Granja Viana, por exemplo – abastecida pelo reservatório Alto Cotia – pode ajudar a amenizar a crise de água se a sede de sua empresa estiver num bairro de São Paulo abastecido pelo quase vazio reservatório da Cantareira.

 

No caso da energia elétrica, individualmente, as empresas podem reduzir o consumo com o trabalho em casa, o que é bom para o caixa da empresa; mas com toda a rede elétrica interligada, o fenômeno da desconcentração do consumo, como no caso da água, não ocorre. Entretanto, em ambos os casos – da água e da energia – se o TeleTrabalho for implementado em escala suficiente, que permita que a empresa seja transferida para um edifício menor – o que é comum em processos de adoção do trabalho a distância – tanto o consumo coletivo de água, como o de energia da empresa, serão ainda mais reduzidos, incrementando o alívio à crise.

 

Além dessas virtudes, sendo implementado em um momento crítico como o atual, o TeleTrabalho criará entre as famílias, condições psicológicas e práticas mais favoráveis, com melhores resultados na economia de água e energia. Isso porque o trabalho em casa representa um incontestável marco de mudança de hábito na vida do profissional. A presença mais frequente do empregado afeta diretamente os familiares. Se uma das principais bandeiras da mudança no regime de trabalho for a crise de abastecimento de água e energia, o TeleTrabalhador será um fiscal, um guardião muito atento e presente de seus próprios hábitos de consumo – e de toda sua família, vizinhança e amigos – produzindo mais eficácia capilar na racionalização do uso desses escassos recursos no seio de sua célula social.

 

Para animar ainda mais os gestores de empresas a adotarem o TeleTrabalho, como resposta à crise atual, pode-se listar muitas outras vantagens ambientais e de saúde pública do trabalho a distância, além dos conhecidos benefícios econômicos à empresa e colaboradores. Mas isso fica para o próximo capítulo da série aqui lançada  “TeleTrabalho Sustentável”.

 

 

http://www.ambiente.sp.gov.br/wp-content/uploads/2013/09/Teletrabalho_e_Teleatividades_SMA_Ago20131.pdf

 

Olimpio Alvares é engenheiro mecânico formado pela Escola Politécnica da Universidade de São Paulo, ex-gerente da Cetesb e Diretor da L`Avis Eco-Service, é membro do International Council on Clean Transportation – ICCT e da Comissão de Meio Ambiente da Associação Nacional de Transportes Públicos – ANTP e colaborador do Clean Air Institute – CAI e do Instituto Saúde e Sustentabilidade. É também Diretor de Meio Ambiente e Sustentabilidade da Sociedade Brasileira de Teletrabalho e Teleatividades – Sobratt – olimpioa@uol.com.br

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