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12/03/2020 – Coronavírus, deslocamentos internacionais e bom senso (12/03/2020)

 

 

Presidente da SOBRATT – Sociedade Brasileira de Teletrabalho e Teleatividades
Sócio-fundador de Yarshell e Camargo Advogados

 

 

 

O covid-19 despertou em inúmeras empresas e, consequentemente, nos seus respectivos líderes, um movimento direcionado ao enfrentamento dessa epidemia (agora pandemia), de forma consistente, o que poderá ensejar a quebra de paradigmas.

O cancelamento de inúmeros eventos, reuniões, congressos internacionais de toda natureza, fez despontar alguns questionamentos a respeito de um exército de profissionais que circulam, todos os dias, pelos mais variados pontos do planeta, cumprindo extenuantes agendas.

A permanência no local de trabalho, para esses profissionais, é exceção, pois a regra são as viagens regulares. Despesas com esses deslocamentos, por sua vez, sempre representaram importante valor no orçamento dos respectivos departamentos, aqui consideradas as despesas aéreas, hotéis, restaurantes, táxis, aplicativos, etc.

Reuniões comerciais, convenções, congressos, encontros nos seus mais variados formatos, sempre me fez pensar no tempo despendido por esses profissionais com os deslocamentos. Verdadeiras epopeias e relatórios elaborados nos voos, quase todos eles de classe econômica, respeitadas honrosas exceções, o que significa um desgaste para esses colaboradores e familiares.

Histerias à parte, tendo em vista eventual descontrole da população com a compra massificada de máscaras cirúrgicas e o esvaziamento de prateleiras em supermercados, não se pode negar a velocidade da contaminação por este vírus, já reconhecido pela OMS como pandemia.

Inobstante a taxa de letalidade do CORONAVIRUS não ser expressiva, bem inferior a SARS (9%) e a MERS (34%), está evidente que os gestores das organizações devem dar uma efetiva resposta para o seu corpo funcional. Inúmeras matérias já foram veiculadas com rol extenso de questões que envolvem gestão de pessoas, jurídicas, etc.

Nesse sentido, ainda não tive a oportunidade de ler qualquer matéria sobre os “viajantes” corporativos. Impõe-se, portanto, breve reflexão sobre esse assunto.

No caso, mesmo não sendo favorável à virtualização completa das relações, tampouco insensível em relação à importância do contato mais próximo entre os seres humanos, há que se considerar certos exageros que podem – e devem – ser mitigados, por conta dos últimos acontecimentos.

Contato pessoal, a propósito, não significa necessariamente qualidade de relacionamento. Aliás, relacionamentos tóxicos, possessivos, ocorrem com a extrema necessidade do contato visual permanente, quase siamês.

Sob o ponto de vista profissional, contato pessoal também não representa êxito na negociação ou melhor desenvolvimento da atividade.

Sabemos que ainda pairam em alguns setores no mundo empresarial aquela antiga ideia de que “o olho do dono engorda o gado” ou “se não for presencial, a venda do produto ou o entendimento não se desenvolve”. Há que se atualizar e contextualizar o antigo ditado, bem como essa lenda “corporativa”.

As relações 4.0 mudaram o cenário do trabalho. O virtual certamente pode ser supervisionado até de maneira mais eficiente, se esse for o desejo do empregador ou do tomador dos serviços.

Uma venda profissional ou reunião virtual poderá ser levada a efeito com requinte de detalhes e informações técnicas. Ferramentas tecnológicas a serviço do mundo corporativo estão a demonstrar isso.

Enfim, no campo das viagens internacionais, o que se tem visto é um número expressivo de eventos, meetings e visitas técnicas sendo cancelados. Isso significa que o mudo está paralisando?

O mundo não vai parar, com certeza, basta que fortaleçamos novos modelos de contratos de trabalho, afinal, o que inviabiliza que uma reunião ou até um evento de grande porte seja realizado virtualmente? Com a tecnologia que já está à disposição, não há qualquer tipo de impedimento. Esse é o atual movimento do teletrabalho ou trabalho remoto que bate à nossa porta.

Com a utilização correta das ferramentas tecnológicas, repita-se, inexiste qualquer impedimento para que uma reunião de negócios, com a participação de vários profissionais, seja realizada de forma satisfatória. Isso já acontece, é fato, mas por que não de forma mais abrangente?

Quando preciso realizar reuniões virtuais, costumo utilizar o sistema de videoconferência, deixando de lado um simples call, pois ainda reconheço que um olhar atento às expressões das pessoas faz a diferença.

Nesse sentido, sempre que possível, dou preferência aos contatos virtuais “humanizados”, se é que é possível assim se referir às reuniões por vídeo, ao invés de um contato por telefone com vários participantes.

Evidentemente, por vezes, um encontro presencial de negócios pode gerar maior qualidade nessa interação pessoal, mas, verdadeiramente, não vejo desvantagem se o contato for realizado virtualmente.

O que se espera de qualquer encontro de negócios é o posicionamento correto e dinâmico de cada profissional que dele participa. Empatia, bom senso, conhecimento técnico, pensamento rápido, habilidades que podem sim se fazer presente numa conferência virtual.

Alguns poderão afirmar que essa abordagem meramente virtual não viabiliza eventual contato mais próximo entre pares, clientes. Ora, o que impede que profissionais envolvidos numa reunião virtual, após esse encontro, deixem de combinar outra conversa, também virtual, para falar de amenidades?

Com efeito, velhos conceitos devem ser eliminados.

Essa imperiosa necessidade de viagens internacionais de nossos colaboradores certamente estaria mitigada se as reuniões com hologramas e imagem HD 4k, as chamadas holoconferências, já fossem uma realidade no mundo empresarial.

Ainda não chegamos nesse patamar, mas isso eclodirá num futuro bem próximo.

De toda sorte, com ou sem hologramas, enquanto pairar no ar um (ainda) desconhecido vírus disposto a atrapalhar nossa pujante vida corporativa, que tal nos embrenharmos nesses encontros tecnológicos, que já estão ao nosso alcance, sem perder a nossa essência humana?

As empresas estão reconhecendo, de forma espontânea ou não, que a prática de reuniões, encontros e eventos presenciais, também podem ser realizados de forma virtual com maior eficácia e menor custo.

O CORONAVIRUS vai passar, mas as empresas poderão aproveitar essa indigesta experiência para repensar novos modelos de gestão.

Fica aqui a provocação.

Luís Otávio Camargo Pinto

Presidente da SOBRATT – Sociedade Brasileira de Teletrabalho e Teleatividade

 

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